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A minha história

Na transição de 2013 para 2014, decidi deixar de fumar.

Acreditei que seria simples, apenas uma questão de força de vontade. Durante 15 dias consegui manter-me firme, com um corte radical, sem qualquer apoio médico ou sessões de cessação tabágica, motivado apenas pela poupança visível num frasco de vidro. No entanto, os sintomas de privação começaram a surgir, a irritabilidade aumentou e, num momento de desespero, voltei a fumar.

Esse foi o gatilho.

Comecei a dormir muito pouco, mas sem sentir cansaço. Para não perturbar a família, vagueava pela casa de madrugada, com os pensamentos a acelerarem cada vez mais.

A minha esposa percebeu que algo não estava bem e marcou a primeira consulta de psiquiatria, numa clínica particular. Prescreveram-me bupropiom e clonazepam. Perdi bastante peso. Durante mais de um mês, sentia-me no topo do mundo, até à inevitável queda.

As consultas e a medicação foram interrompidas, e entrou-se num período crítico: depressão, ansiedade, ataques de pânico e uma tentativa de suicídio.

Ao contrário do que se pensa, a depressão não é apenas tristeza. É desânimo, perda de prazer, angústia, culpa, medo, e um desespero silencioso que consome por dentro, muitas vezes sem dar sinais visíveis a quem está de fora.

Com algumas sessões de psicoterapia e Valdespert 45 mg, atingi alguma estabilidade, mas com limites invisíveis.

No início de 2015, tive uma recaída. Regressaram os pensamentos negativos e outros sinais silenciosos.

Numa consulta de medicina geral, a médica de família reencaminhou-me para a especialidade.

Comecei o tratamento na extensão de Vila do Conde do Hospital de Magalhães Lemos, com um novo regime de medicação: valproato de libertação prolongada e duloxetina. O diagnóstico demorou mais de um ano.

Aprendi a reconhecer os sinais de alterações de humor iminentes e a desenvolver estratégias para lidar com eles, um trabalho constante de autoconhecimento e aceitação.

Mais tarde, em 2021, passei a ser seguido no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, por outro médico. A transição decorreu com tranquilidade e o acompanhamento manteve a mesma qualidade.

Hoje sei que não é possível estar curado, mas é possível estar tratado e ter uma vida normal, desde que cumpra a medicação, mantenha o acompanhamento regular e, acima de tudo, nunca perca a coragem de enfrentar a minha própria mente, dia após dia.

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