Na transição de 2013 para 2014, decidi deixar de fumar. Acreditei que seria simples, apenas uma questão de força de vontade. Durante 15 dias consegui manter-me firme, com um corte radical, sem qualquer apoio médico ou sessões de cessação tabágica, motivado apenas pela poupança visível num frasco de vidro. No entanto, os sintomas de privação começaram a surgir, a irritabilidade aumentou e, num momento de desespero, voltei a fumar. Esse foi o gatilho. Comecei a dormir muito pouco, mas sem sentir cansaço. Para não perturbar a família, vagueava pela casa de madrugada, com os pensamentos a acelerarem cada vez mais. A minha esposa percebeu que algo não estava bem e marcou a primeira consulta de psiquiatria, numa clínica particular. Prescreveram-me bupropiom e clonazepam. Perdi bastante peso. Durante mais de um mês, sentia-me no topo do mundo, até à inevitável queda. As consultas e a medicação foram interrompidas, e entrou-se num período crítico: depressão, ansiedade, ataques de pânico e...