Receber o diagnóstico de perturbação bipolar não é chegar a um destino com um mapa na mão. Para a maioria de nós, é o culminar de uma maratona exaustiva feita de sinais ignorados e anos a tentar decifrar um enigma sem chave. Quando alguém finalmente dá um nome à tempestade interna, o alívio é imediato. De repente, peças soltas começam a fazer sentido. Mas, logo depois, surge o peso. Com o nome vêm as perguntas: O que muda em mim? Como serei visto a partir de agora? Este rótulo vai apagar-me? O diagnóstico tem duas faces. Liberta-nos do desconhecido, mas expõe-nos ao estigma. Quando a palavra “bipolaridade” entra na sala, algo se altera no olhar dos outros: alguns aproximam-se com empatia, outros recuam. Há quem proteja em excesso e quem escolha a distância. Somos então obrigados a renegociar laços e a forma como nos apresentamos ao mundo. Começa aqui o verdadeiro trabalho interno: reconhecer a condição sem permitir que ela nos reduza. Apesar do nome, muito permanece intacto:...