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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2025

Ansiedade e perturbação bipolar: uma convivência silenciosa

Na perturbação bipolar, as oscilações de humor são a face mais visível. No entanto, a ansiedade é uma comorbilidade frequente e, muitas vezes, igualmente incapacitante. Estudos indicam que entre 50% e 60% das pessoas com perturbação bipolar apresentam, ao longo da vida, pelo menos uma perturbação de ansiedade associada , como ansiedade generalizada, fobia social ou ataques de pânico. A ansiedade pode surgir mesmo em fases de estabilidade do humor. Nem sempre está relacionada com um evento externo identificável; resulta frequentemente de hiperativação do sistema nervoso autónomo. Um ataque de ansiedade pode manifestar-se de diversas formas: sintomas físicos, sintomas psicológicos ou emocionais, e sintomas comportamentais. Apesar de alarmantes, estes sintomas correspondem a uma ativação fisiológica real, uma resposta de alarme desproporcionada ao contexto. Compreender este mecanismo ajuda a reduzir interpretações moralizantes. Não se trata de falta de controlo ou de fraqueza, mas de regu...

Bipolaridade: entre o estigma e a realidade

Quando dizes a alguém que tens perturbação bipolar, é comum veres um ligeiro recuo no olhar do outro. Fomos ensinados pelo cinema e pelo sensacionalismo a associar esta condição a uma instabilidade perigosa, como se fôssemos uma bomba prestes a explodir. É o velho desconhecimento disfarçado de opinião. A realidade, porém, é bem mais silenciosa, e muito mais vulnerável. A perturbação bipolar não é sinónimo de perigo para os outros. Estudos epidemiológicos indicam que, quando existe tratamento adequado, a maioria das pessoas com perturbação bipolar não apresenta maior risco de violência do que a população geral. Quando há agressividade, ela está frequentemente associada a fatores externos, como o consumo de substâncias, que podem afetar qualquer pessoa. Pelo contrário, vários estudos indicam que pessoas com doença mental grave podem ter risco significativamente maior de vitimização do que de a praticarem. O estigma pinta-nos como agressores, quando tantas vezes ocupamos o lugar de maior ...