Na perturbação bipolar, as oscilações de humor são a face mais visível. No entanto, a ansiedade é uma comorbilidade frequente e, muitas vezes, igualmente incapacitante.
Estudos indicam que entre 50% e 60% das pessoas com perturbação bipolar apresentam, ao longo da vida, pelo menos uma perturbação de ansiedade associada, como ansiedade generalizada, fobia social ou ataques de pânico.
A ansiedade pode surgir mesmo em fases de estabilidade do humor. Nem sempre está relacionada com um evento externo identificável; resulta frequentemente de hiperativação do sistema nervoso autónomo.
Um ataque de ansiedade pode manifestar-se de diversas formas: sintomas físicos, sintomas psicológicos ou emocionais, e sintomas comportamentais. Apesar de alarmantes, estes sintomas correspondem a uma ativação fisiológica real, uma resposta de alarme desproporcionada ao contexto.
Compreender este mecanismo ajuda a reduzir interpretações moralizantes. Não se trata de falta de controlo ou de fraqueza, mas de regulação neurobiológica alterada.
O tratamento pode incluir ajustes farmacológicos, psicoterapia focada na gestão da ansiedade e estratégias de regulação fisiológica, como técnicas respiratórias e redução de estímulos.
Reconhecer a ansiedade como parte integrante do quadro clínico permite abordá-la de forma estratégica, em vez de a negar ou minimizar. Integrar esta dimensão no plano terapêutico aumenta a probabilidade de estabilidade global.
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