Falar da medicação que tomo é entrar num território pessoal. Sei que cada organismo reage de forma diferente e que o que funciona para mim pode não servir para outra pessoa. Ainda assim, partilhar a minha experiência é mostrar que a estabilidade não é acaso, é resultado de acompanhamento, ajustes e tempo.
O que descrevo aqui foi o meu primeiro ponto de equilíbrio, a combinação que me ajudou quando o caos se instalou. Hoje o meu tratamento já sofreu alterações, mas compreender esse início é fundamental. Nessa fase, a base era uma dupla: valproato de libertação prolongada e duloxetina.
O valproato funcionava como estabilizador de humor. Atua sobre o GABA, reduzindo a excitabilidade neuronal e ajudando a prevenir episódios de mania. Era a estrutura que mantinha as oscilações sob controlo.
A duloxetina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, tinha como foco os sintomas depressivos persistentes. Em pessoas com perturbação bipolar, este tipo de fármaco exige acompanhamento cuidadoso e, por isso, era sempre associado ao estabilizador.
A posologia inicial foi: Valproato semissódico (500 mg): dois comprimidos por dia, manhã e noite; Duloxetina (60 mg): um comprimido de manhã; e Victan (2 mg): apenas em situações pontuais de ansiedade.
Esta combinação trouxe-me a estabilidade que procurava, embora com desafios: fadiga, sonolência e monitorização regular da função hepática através de análises. Faz parte do compromisso com o tratamento.
Partilhar estes detalhes não é oferecer uma fórmula, mas dar contexto ao meu percurso. O tratamento é dinâmico, as doses ajustam-se, as necessidades evoluem. O que permanece é a lição: equilíbrio resulta da conjugação entre medicina rigorosa e participação ativa do paciente.
Não sou um diagnóstico. Mas aprendi a usar as ferramentas que ele exige para poder viver com mais estabilidade.
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