Falar sobre saúde mental no contexto profissional continua a gerar desconforto. Persistem expectativas de que a vida pessoal deve permanecer fora do espaço de trabalho, como se o desempenho existisse isolado da realidade individual.
Assumir um diagnóstico de perturbação bipolar ainda pode implicar receio de estigma ou discriminação. No entanto, bipolaridade não é sinónimo de incompetência. Muitas pessoas com este diagnóstico mantêm carreiras estáveis e produtivas quando têm acesso a tratamento adequado e condições de trabalho ajustadas.
O fator determinante não é a existência da doença, mas o nível de estabilidade clínica e o ambiente organizacional. Contextos profissionais que valorizam empatia, comunicação clara e flexibilidade tendem a reter talento e reduzir absentismo.
A Organização Mundial da Saúde identifica as perturbações mentais como uma das principais causas de incapacidade laboral a nível global. Na bipolaridade, alterações de sono, energia ou concentração podem afetar o desempenho em determinados períodos. Isso não invalida competência, exige gestão.
Medidas simples podem fazer diferença significativa: a flexibilidade de horários ou possibilidade de trabalho remoto em fases de maior vulnerabilidade; os espaços seguros de comunicação, sem receio de represálias; e políticas de equidade, reconhecendo que ajustamentos razoáveis promovem igualdade real.
Promover literacia em saúde mental nas empresas não é apenas responsabilidade social; é estratégia organizacional.
Realização profissional e bipolaridade não são incompatíveis. Exigem, contudo, ambientes de trabalho informados e lideranças preparadas para lidar com diversidade humana.
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