Ser pai ou mãe enquanto se vive com perturbação bipolar implica responsabilidade acrescida. A gestão do humor passa a ter impacto direto no ambiente familiar.
Existe ainda o preconceito de que um diagnóstico psiquiátrico compromete automaticamente a capacidade parental. A evidência científica não sustenta essa ideia. Estudos indicam que a qualidade da parentalidade está mais associada à estabilidade clínica e ao suporte disponível do que à ausência de doença.
O receio de falhar é comum. Medo de não corresponder, de não ter energia suficiente ou de expor os filhos a períodos de maior fragilidade. Estes receios podem funcionar como motivadores para maior vigilância e organização.
Parentalidade com bipolaridade exige: a adesão rigorosa ao tratamento, a atenção precoce a sinais de descompensação, e o recurso a rede de apoio quando necessário.
Rotinas previsíveis ajudam a criança a sentir segurança e também favorecem a estabilidade do próprio progenitor.
Falar com os filhos de forma adequada à idade, explicando, por exemplo, que existem dias de maior cansaço ou necessidade de silêncio, reduz interpretações erradas e evita que a criança personalize alterações de humor.
A experiência de viver com uma condição mental pode aumentar a consciência emocional dentro da família, desde que exista acompanhamento e reflexão.
Vulnerabilidade reconhecida e tratada pode coexistir com responsabilidade. Ter bipolaridade não impede o exercício da parentalidade. Exige planeamento, apoio e compromisso consistente com o tratamento. Quando essas condições estão presentes, é possível oferecer um ambiente seguro e afetivamente estável.
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